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Durante o II Seminário Fiesp de Logística,
realizado neste mês em São Paulo, evidenciou-se que projetos
logisticamente semelhantes operam com soluções logísticas bem
distintas. Exemplo? Os projetos Ferro Carajás e o Soja Centro Oeste.
Ambos com custos de produção competitivos e voltados principalmente
para exportação; ambos necessitam de portos eficientes; de
transportes com fretes reduzidos, tanto marítimo como terrestre.
Apesar de ambos utilizarem ferrovia, porto e
transporte marítimo, as respectivas arquiteturas logísticas diferem
bastante, talvez como reflexo da disparidade de suas estruturas
empresariais. O projeto Ferro Carajás é uno — é Vale do Rio Doce. Já
o projeto Soja Centro Oeste é fracionado e disperso — nada é
inteiro. Produção em varias frentes, transporte por modais adequados
e inadequados, portos congestionados, frete marítimo elevado por não
utilizar navios de porte apropriado. No caso da Soja Centro Oeste, a
estrutura empresarial pesou mais na arquitetura logística que os
ditames do empreendimento. Tem que ser assim? Razões alheias a
determinar soluções? Ou é falha de nossa classe empresarial e de
nosso governo?
Tanto o projeto Soja CO quanto o Ferro Carajás
são vencedores porém este exubera em sua capacidade de resistir aos
caprichos do mercado. Imbatível por apresentar custos reduzidos em
todas suas facetas, nomeadamente: mineração (produção), ferrovia,
porto (armazenagem, carregamento, reduzida taxa de demurrage) e
transporte marítimo.
Para já, foquemos apenas o transporte marítimo,
Através do porto de Santos (calado de 12,5 m) são embarcadas 10
milhões de toneladas por ano de soja em navios handymax (35 a 55 mil
toneladas), e eventualmente em panamax (lote de 55 a 70 mil
toneladas). Fossem embarcadas em navio tipo cabo (capesize), a
economia resultante ao fim de 4 anos — 4 anos mesmo, apenas de frete
marítimo — bastaria para construir um terminal de soja para 10
milhões de toneladas por ano em porto com 17 m de calado e mais 200
km de ferrovia conectando-os à malha nacional.
A escolha de Itaqui no Maranhão como porto de
Carajás foi uma decisão difícil tanto técnica como politicamente.
Sem embargo, um porto no Pará reduziria o investimento em ferrovia
em US$ 200 milhões [250 km]. Porém, preferiu a Vale evitar esta
falsa economia e lançar os trilhos até Itaqui, para aí construir
porto para navios de qualquer porte. Entrementes articulou com
siderúrgicas européias a construção do Berg Stahl, o maior
graneleiro (não inclui petroleiro) do mundo com 365.000 tpb, calado
de verão de 25 m, e boca de 63 m que continua navegando apenas na
rota Itaqui-Roterdã.
Em 2004 os 3 estados do Centro Oeste produziram
29 milhões de toneladas, dos quais cerca de 12 milhões de toneladas
"ferroviáveis". Entretanto, a Ferronorte e Novoeste transportaram
apenas 5,13 milhões de toneladas. O Porto de Santos embarcou 10
milhões de toneladas de soja em 2004. Em tempo, a ALL transportou 8
milhões de toneladas para Paranaguá.
Em 2004, a Estrada de Ferro Carajás transportou
a totalidade do ferro de Carajás até o porto de Itaqui; 70 milhões
de toneladas, incluindo 3 milhões de toneladas de gusa. Os 892 km da
EFCarajás são trafegáveis desde 1986, ano do primeiro embarque. Em
2004 os trilhos da Ferronorte/Ferroban cobrem apenas 1.400 km dos
1.900 que separam Cuiabá a Rondonópolis: 1.650 km do porto de
Santos.
Enfim, o repto está lançado: traçar a
arquitetura logística do álcool carburante para exportação de sorte
a torná-lo imune aos caprichos do mercado, Afinal em 2010 prevê-se
exportar US$ 1,5 bilhão por ano. Carajás foi projetado para faturar
apenas US$ 700 milhões.
— de Gazeta Mercantil
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